sexta-feira, 18 de abril de 2008

EBULIÇÕES E REVOLUÇÕES!


Num momento simbólico, em que, um pouco por todo o país, com mais ou menos pompa e circunstância, vamos assistir às comemorações do 34º aniversário da Revolução de Abril, é com algumas reticências que a grande maioria dos Portugueses aguarda por um futuro, que ao menos, se preveja risonho.
Abril não está morto no coração de cada democrata, mas apenas de quem é democrata de corpo e alma, é inegável que Portugal atravessa uma crise económica, senão a mais grave dos últimos tempos, pelo menos, uma das mais graves!
Não adianta vir apregoar uma alegada Retoma, quando aquilo a que se assiste, fora dos discursos dos políticos é assustador.
Muitos Portugueses estão sem poder de compra, as pequenas e médias empresas são as mais sacrificadas em termos fiscais, e também quanto a exigências de cumprimento de procedimentos de ordem técnica que, em nome da verdade, os cidadãos das gerações anteriores à de Abril não dominam na perfeição e chegam até a encarar com um certo receio.
Convenhamos que a Internet é um instrumento fabuloso e imprescindível à maioria das profissões, mas se nos lembrarmos que “ Roma e Pavia não se Fizeram num dia”, diríamos que é idealista, utópico e até mesmo, porque não dizê-lo, algo megalómano, acreditar que é possível que as pequenas e médias empresas, e até o comum dos cidadãos particulares tenha computador, conhecimentos informáticos básicos, e ligação à Internet.
Exigir inovações tecnológicas repentinas numa sociedade tradicionalista como a nossa, sem dar o devido tempo e meios de formação prévia e preparar um caos anunciado. O grande exemplo é a justiça, que já iniciou, e vai ainda agravar o seu “Estado de Citius”, porque a desmaterialização de processos em Tribunal não pode ser pretendida dum dia para o outro, nem se pode impor aos operadores judiciários que, por artes de magia, dum dia para o outro, e muitas vezes sem formação , aprendam a lidar com as novas funcionalidades do sistema de informatização global da justiça.
A realidade é bem outra, a informática é mais um mito em termos de sistema judicial, porque o que vemos nos nossos Tribunais, pelo menos nos mais antigos, são péssimas condições de trabalho, funcionários trabalhando por entre pilhas de papel, em espaços exíguos, interrogatórios a arguidos, na fase do segredo de justiça, realizados em recantos, quase lado a lado com os intervenientes do processo do vizinho do lado.
O desrespeito pelos Direitos humanos dos cidadãos, algemados de forma a que, nem que tenham de esperar horas para serem presentes a tribunal, não se confere sequer uma posição digna para estarem sentados, mas, ironia das ironias, depois de tanto espectáculo, são postos em liberdade a aguardar o resto do processo sem que se desça ao fundo da questão, ao porquê social do sucedido, e às formas de minorar ou tentar corrigir o factor motivante de tais comportamentos ilegais.
A Economia, está em polvorosa, chegámos ao ponto de, pessoas que, em regra, e por inerência de funções se mantinham discretas, não conseguirem calar mais a revolta denunciando o óbvio para uns (muitos) e impossível para outros (poucos), a Juiz do Tribunal de Comercio de Lisboa - Dra. Maria José Costeira - resumiu de forma brilhante o estado da economia nacional, dizendo, em suma, que se fosse estrangeira não investiria em Portugal.
A Politica continua também descaracterizada, cada vez mais suscitando indiferença e descrédito dos cidadãos, o que fica patente nas taxas elevadas de abstenção sempre que vamos a votos.
Em vez de se edificar, e de moralizar, os nossos dirigentes continuam a trocar “mimos” entre si, à laia de combate entre Gladiadores Romanos adaptado aos novos tempos, sem que sejam pensadas soluções reais, praticáveis e efectivas para os problemas do pais.
Permite-se, impunemente, a pessoas como o Dr. Alberto João Jardim, que hostilize frontalmente a imprensa, impedindo, contra a lei, profissionais de exercerem o legitimo direito a informar. É-lhe também permitido tecer críticas e dirigir comentários depreciativos a eito, como se, dono de um estatuto especial, de imunidade, tudo possa dizer, porque até é engraçado!
Ou seja, temos cidadãos acima do bem e do mal e, inclusive, acima da lei, enquanto outros sofrem arduamente por erros que, bem analisados, nem são assim tão graves!
As públicas virtudes abafam os vícios privados, mas a classe média vive endividada, recorrendo a créditos para pagar créditos, num claro sinal vermelho para a nossa economia. O Desemprego, se concluem que diminui, a ser verdade tecnicamente, deve-se apenas à enorme adesão a trabalhos precários, pois, muitos jovens Licenciados não têm outra solução para início de vida, daqui decorre, porém, que a invocada descida da taxa de desemprego é uma falsa questão, uma mera falácia.
Depois, atribuem-se prestações sociais a quem, manifestamente, já se habituou a delas viver, sem produzir nem se esforçar minimamente para o fazer.
Na imprensa, continuam a existir laços fortes entre o jornalismo e a politica, e não podemos dizer que o nosso pais seja , em pleno, um estado de Direito Democrático, porque se a uns tudo é permitido, há outros que são punidos exemplarmente em algo muito semelhante à censura.
Abril está, contudo, vivo, nos corações de muitos que o viveram, e que julgaram que a ambicionada liberdade seria perfeita, mas a verdade é que , também vários excessos têm sido permitidos pela democracia, a liberdade, também ela tão propícia a posições extremas como a ditadura, vem produzindo novos e graves problemas sociais, como os alarmantes índices de criminalidade violenta em Portugal. Os testemunhos recolhidos de quem viveu na época levam-nos a concluir que a liberdade foi mal aproveitada. Sendo a autora destas linhas sensivelmente da mesma idade da revolução, tudo o que sabe, vem da cultura geral, da formação académica e também do conhecimento que se colhe ao ouvir os relatos de quem viveu de perto tão relevante acontecimento histórico. Mas tenhamos consciência de que, nem tudo mudou para melhor, pelo menos no estado actual, ou seja, abusos cometem-se em quaisquer regimes políticos, em quaisquer períodos históricos.
O descontentamento generalizado da população está à vista com manifestações, primeiro dos grandes indícios de que algo está errado.
Para concluir, resta-me sugerir, passe a ironia, que talvez alguns já pensem se não seria necessária uma revolução, desta feita de rosas brancas, símbolo da pureza, podia ser que resultasse melhor! Quem sabe?!


Texto e Foto: Isabel de Almeida

3 comentários:

Charlotte D' Orey disse...

Só posso esperar grandes notícias, escritas de uma forma única e exemplar como só tu sabes fazer.
Minha cara amiga és inimitável como diz o George Cloney no anúncio:"magnifíco".
Belo começo, um tema controverso,falar desta específica Revolução que se operou um pouco por todos os domínios da sociedade, impelida sobretudo pelas tropas da época que beneficiaram grandemente com ela à qual o povo se juntou tomando-a como uma causa sua.
Desejo tudo de bom para este blog uma excelente continuação de bem escrever.

camera crew portugal disse...

muito bom

Anónimo disse...

EM RELAÇÃO ÁS REVOLUÇÕES-----------------ARTIGO MUITO BEM ESCRITO,,,,,,,,,,,,,SÓ É PENA AS PESSOAS CONFUNDIREM LIBERDADE COM ......LIBERTINAGEM.

UM ABRAÇO
JUDITE-