quarta-feira, 25 de junho de 2008

RECORDANDO ORIANA FALLACI, UM MITO DO JORNALISMO!



Texto: Isabel de Almeida
Foto: Pesquisada em http://www.google.com, da autoria de Oliviero Toscani, trata-se também de foto inserida na edição Portuguesa de " A Raiva e o Orgulho", obra de Oriana Fallaci editada em Portugal pela Difel - Difusão Editorial, S.A.


Porque este se trata de um espaço de debate de ideias, de informação, cultura, e com o inevitável cunho pessoal da administradora da Página, decidi fazer publicar neste blog um texto que inicialmente criei e editei em 23 de Setembro de 2006, no blog http://cerejafalante.blogspot.com/, por ocasião do falecimento de um dos verdadeiros mitos do Jornalismo e Literatura Internacionais. Trata-te de um tributo a Oriana Fallaci, jornalista e escritora Italiana, natural daquela que considero a mais bela cidade do Mundo - Florença - figura polémica, a suscitar ódios e paixões, e uma forte crítica do extremismo Islâmico.


Neste blog, de caracter assumidamente informativo e formativo, para fazer relembrar a mulher e a obra a todos quanto a conhecem, ou ainda para dar a conhecer as mesmas a quem ainda não reúne essas condições, aqui fica o texto denominado TRIBUTO A ORIANA FALLACI ( 1929-2006), não só porque Oriana é uma das figuras do jornalismo que mais admiro, mas também porque me parece um bom tema para celebrar com os leitores o número de cem visitantes, aos quais deixo os meus sinceros agradecimentos e o convite a regressar à página.


Desde já informo que se avizinham novidades informativas neste espaço, o qual tem andado mais parado devido a inúmeros afazeres e projectos da autora, que promete, em breve, compensar tal hiato informativo e criativo. Aqui fica, pois, o texto original, tal como foi publicado no blog acima referido:



" Penso que neste momento, e pese embora a juventude deste “ espaço de ideias”, os leitores já não desconhecem que o jornalismo é uma das paixões da minha existência.Durante alguns anos tive o prazer de exercer essa paixão nas páginas da imprensa regional, e sendo a escrita um impulso e uma necessidade, é este facto a força motriz destas páginas virtuais…Ora, desde já, assumo publicamente a admiração que nutro por todos aqueles que ,com coragem, se destacam na área dos meios de comunicação social (com especial preferência pela imprensa escrita), que por vezes sujeitando-se ao julgamento público ( tantas vezes injustamente implacável) não hesitam sequer um momento ao transpor para o papel o que sentem e pensam, não receiam agitar consciências e denunciar o que está errado !Assim, parece-me mais do que oportuno e justo deixar aqui o meu modesto tributo a uma das figuras mais relevantes e polémicas do jornalismo internacional, e que se destacou também como escritora. Refiro-me à jornalista Italiana Oriana Fallaci.Oriana nasceu em Florença a 29 de Julho de 1929, e veio a falecer naquela mesma cidade a 15 de Setembro de 2006, numa clínica privada, vitimada por um Cancro que já há alguns anos a vinha atormentando.Polémica, corajosa e temperamental, ficou famosa nomeadamente por entrevistar personalidades tão dispares e controversas como Ayatollah Khomeini, Yasser Arafat ou Henry Kissinger.Viria a apaixonar-se por um activista politico Grego – Alekos Panagoulis – o que mais uma vez comprova a sua audácia. Esta relação amorosa inspirou as suas obras : “ Lettera a un bambino mai nato “ – 1975 – e “ Un Uomo “ – 1979.Forte crítica do terror Islâmico e condenando o papel secundário, submisso e indigno que aquela religião atribui às mulheres, Oriana Fallaci voltou mais recentemente a fazer ouvir a sua voz, através de um artigo publicado a propósito dos atentados de 11 de Setembro de 2001, os quais vivenciou em Manhatan, onde residia. Este mesmo artigo deu origem ao livro “ A Raiva e o Orgulho”, no qual critica ferozmente o terrorismo Islâmico e todos aqueles que, por mera opinião até, o defendem ou aceitam.Em 2004, dando continuidade ao raciocínio da obra anteriormente citada, publicou “ A Força da Razão.”Oriana trabalhava de forma lenta e obsessiva, tendo como único vício o tabaco.Para concluir este tributo, nada melhor do que um excerto do seu livro “ A Raiva e o Orgulho” , bem elucidativo da sua perspectiva sobre o papel da mulher no mundo Islâmico: “ Nunca esquecerei do que me aconteceu na embaixada iraniana de Roma, quando pedi o visto para me deslocar a Teerão para uma entrevista a Khomeini e me apresentei com as unhas pintadas de vermelho. Para eles, era um sinal de imoralidade ou, melhor, um crime tal que, por causa disso, nos países mais fundamentalistas cortam os dedos. Com voz dura como chicote dois barbudos intimaram-me a tirar imediatamente aquele vermelho e, se eu não lhes tivesse berrado o que gostaria de lhes tirar, ou melhor, de lhes cortar, ter-me-iam decepado os dedos no meu país.”[1] In, Fallaci, Oriana – A Raiva e o Orgulho – página 99 - Difel – Difusão Editorial S.A. Setembro de 2002."

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